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22/02/07 )
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2001 2002
2003
2004
2005
2006
2007
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2004
Janeiro

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Dia
23
às
21.30
Horas -
Lisboa -
Salão Nobre do Conservatório Nacional
Iª Parte
Quinteto
(2002) F. Monteiro
Fl, cl, v, vc e pf
El Vaso
Reluciente(2003) C. Rosa
1ª audição (encomenda do
GMCL a quem foi dedicada)
Sop,
pf, harpa, fl, cl, v, va e vc
Leves Véus Levam
(1981) J. Peixinho
Sop, fl, va, harpa e marimba
IIª Parte
Leituras de Liberdade
(2003) C. Bochmann
1ª audição (encomenda do
GMCL a quem foi dedicada)
Sop,
pf, harpa, fl, cl, v, va e vc
Poemário de Lamonilairie de Campos
(2003) E. Carrapatoso
1ª audição (encomenda do
GMCL a quem foi dedicada)
1. Reconhecimento
(nocturno)
2. Pedras (blues)
3. Lição
(recitativo unido)
4. Defronte
(blues)
5. Lua (nocturno)
Sop, pf,
harpa, fl, cl, v, va e vc
Voz
– Ana Ester Neves Violino – José Machado
Flauta – João Pereira Coutinho Violeta – António Oliveira e Silva
Clarinete – Luís Gomes Violoncelo – Jorge Sá Machado
Percussão – Fátima Pinto
Harpa – Andreia Marques
Piano – Francisco Monteiro
Direcção – João
Paulo Santos
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Fevereiro


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Dia
18
às
18.30
Horas -
Almada -
Salão Nobre do
instituto Piaget
Concerto de
apresentação em Lisboa das
obras
encomendadas pelo GMCL
Iª Parte
El Vaso
Reluciente(2003) C. Rosa
1ª audição (encomenda do
GMCL a quem foi dedicada)
Sop,
pf, harpa, fl, cl, v, va e vc
Leves Véus Levam
(1981) J. Peixinho
Sop, fl, va, harpa e marimba
O
Caminho de Orfeu (2002)
Clotilde Rosa
Harpa,
fl, cl, v, va e vc
IIª Parte
Poemário de Lamonilairie de Campos
(2003) E. Carrapatoso
1ª audição (encomenda do
GMCL a quem foi dedicada)
1. Reconhecimento
(nocturno)
2. Pedras (blues)
3. Lição
(recitativo unido)
4. Defronte
(blues)
5. Lua (nocturno)
Sop, pf,
harpa, fl, cl, v, va e vc
Leituras de Liberdade
(2003) C. Bochmann
1ª audição (encomenda do
GMCL a quem foi dedicada)
Sop, pf, harpa, fl, cl, v, va e vc
Voz
– Ana Ester Neves Violino – José Machado
Flauta – João Pereira Coutinho Violeta – António Oliveira e Silva
Clarinete – Luís Gomes Violoncelo – Jorge Sá Machado
Percussão – Fátima Pinto
Harpa – Andreia Marques
Piano – Francisco Monteiro
Direcção – João
Paulo Santos
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Notas de
programa
EL VASO RELUCIENTE… (2003)
Esta obra foi-me encomendada pelo GMCL a quem dediquei. Escolhi este soneto
de Camões pela sua beleza e transparência. Tentei interpretá-lo em música
conferindo-lhe uma trajectória de um clima mais ou menos rarefeito,
procurando timbres luminosos a fim de manter o ambiente que é tão peculiar
ao poema e que permaneceu no meu espírito. El Vaso Reluciente é de relativa
curta duração conforme o soneto. Acaba num rendilhado de sons como se de um
sonho se tratara…
Clotilde Rosa
El vaso reluciente…
El vaso reluciente y cristalino,
De Ángeles agua clara y olorosa,
De blanca seda ornado y fresca rosa,
Ligado con cabellos de oro fino;
Bien claro parecía el don divino
Labrado por la mano artificiosa
De aquella blanca Ninfa, graciosa
Más que el rubio lucero matutino.
Nel vaso vuestro cuerpo se afigura,
Rajado de los blandos miembros bellos,
Y en el agua – vuestra ánima pura;
La seda es la blancura, y los cabellos
Son las prisiones y la ligadura
Con que mi libertad fue asida dellos.
LEVES VÉUS VELAM...(1981)
Baseada no poema homónimo de Fernando Pessoa, esta obra ( escrita para
soprano, flauta viola e marimba ) pretende construir um universo sonoro
autónomo, no qual a voz e o conjunto instrumental assumem funções igualmente
relevantes e inter-dependentes. Os fundamentos da peça residem na aplicação
de um sistema de campos harmónicos variáveis - os quais funcionam como véus
envolventes do tecido sonoro ( " Leves véus velam") - daí derivando e aí se
inserindo todos os elementos constitutivos ( sons prolongados, grupos" em
arco" ou direccionais, células em "ostinato", etc ). Os elementos
"centrífugos" do sistema (glissandos, movimentos de sons não-determinados,
percussão ) constituem uma "projecção" dos elementos-matriz, na fronteira
dos campos harmónicos estruturais. A notar ainda a inclusão estilizada de
fragmentos do Pierrot Lunaire de Schönberg, assinalando os momentos de
convergência de Fernando Pessoa e de Albert Giraud (a utilização comum de
palavras como "lua", "noite", "céu")
Jorge Peixinho
O CAMINHO DE ORFEU (2002)
Esta obra, para harpa solista e conjunto instrumental é dedicada à harpista
Andreia Marques e ao GMCL, grupo do qual ela faz parte.
Tentei, sem trair a minha linguagem, tirar partido das belas potencialidades
da harpa, instrumento de tão difícil execução no campo da escrita atonal,
mercê da complicada técnica de pedais, razão da dificuldade em escrever para
este instrumento. O Caminho de Orfeu, desenrola-se dentro de cadências e
diálogos entre a harpa e o conjunto instrumental com novas experiências
harmónicas, interligando-se entre si; situações mais líricas e outras mais
rítmicas e marcantes, num caminho árduo, como o de Orfeu se tratasse, em
procura de Euridice. A obra acaba com glissandos muito harpísticos
sustentados por um paralelismo de acordes nos outros instrumentos.
Clotilde Rosa
13/6/03
POEMÁRIO DE LAMOLINAIRIE DE CAMPOS (2003)
1. Esta peça resulta de uma encomenda do Grupo de Música Contemporânea de
Lisboa, a quem é dedicada. Por extensão natural, é uma dedicatória que se
projecta na memória da figura ímpar do seu fundador, o meu querido professor
Jorge Peixinho, mestre incomparável, o nosso compositor-poeta.
2. É uma leitura musical de poemas epigramáticos de Lamolinairie de Campos.
A sua poesia desde cedo me colheu não apenas pela sua inefabilidade bem como
pelo equilíbrio rítmico das suas palavras. Surgem sempre na hora certa, com
o peso certo, numa prosódia de rara compleição. A sua musicalidade extrema
sugere timbres de amplitude variável desde a evanescência de um glockenspiel
ao registo sonoro do bronze, passando pelos acetinados sensuais blues-like,
pelas sonoridades nocturnas das surdinas, pelo halo onírico dos harmónicos.
A música está naqueles poemas. O meu contributo é apenas sinestésico.
3. A peça tem uma forma palindrómica, com cinco andamentos que se reflectem
no carácter e no material. O primeiro e último são nocturnos, cheios de
mistério. O segundo e quarto são blues, literalmente blues, no seu
arrastamento dengoso, no seu mamar doce. O momento central, o eixo deste
espelho, é declamado. O poema é dito numa caminha de timbres.
4. Musicalmente, a textura é simples, subtil, essencialmente tímbrica. Há um
certo despojamento de meios. O poema chega. Less is more.
5. Harmonicamente é uma obra tonal, contendo referências mais ou menos
veladas aos meus mestres queridos: o Mahler dos Adagiettos e dos
Kindertotenlieder, o Ravel da Pavane, o Debussy do Faune, o Messiaen de
Fouillis d’arcs-en-ciel, o Gershwin de Porgy; e uma referência ainda mais
velada ao mestre Schoenberg, na clarividência da sua afirmação: “ainda se
pode escrever muita boa música em dó maior”. Uns porque me inspiram, outros
porque me encorajam, constituem-se como os ecos imemoriais desta peça, seu
húmus e minha linfa.
6. Os poemas são extraídos do livro de José Lamolinairie de Campos chamado
Delitos, edições Afrontamento/Poesia-1983. Ei-los:
Eurico Carrapatoso
1 - Reconhecimento
Águas travos
De empenhos carentes
Ruídos doentes
Remoques violentos
Vão indo lentas em forma de exórdios
Depuram para que assomem talentos
2 - Pedras
Pedras são contexturas
impregnadas e broncos
Cérebros gastos, ásperos.
Contêm tudo à força de tão junto.
3 - Lição
Os poetas são lobisomens.
São negros, carnívoros, párias.
Carpem à noite, eles
uivam porque a noite está vaga.
Têm fôlego quente, eles
são emergentes, radicais como geisers.
4 – Defronte
De bruços, queixo na areia, os olhos altos.
De bruços, queixo na areia, barcos.
A areia morna a possuir-te...
O risco do cabelo a dividir-te...
5 - Lua
À noite, há a certeza do reflexo,
tendência para o banho nocturno no espelho baço.
A lua imóvel, sossegadamente satélite,
é agora narciso irrequieto pelas águas!?...
LEITURAS DE LIBERDADE (2003)
Leituras de Liberdade baseia-se num poema do poeta brasileiro Carlos
Drummond de Andrade. O poema "Liberdade" aparece quatro vezes na obra: a
parte vocal é sempre a mesma, com uns tropos inseridos; o contexto que
rodeia voz é sempre diferente. Daí as quatro leituras diferentes do mesmo
texto.
À volta destas quatro versões de "Liberdade" elabora-se uma teia de secções
instrumentais e vocais. Estas últimas citam dois pequenos excertos de outros
poemas do mesmo autor, ambos contendo a palavra "liberdade".
As várias secções utilizam combinações diferentes dos instrumentos do grupo,
algumas das quais fazem lembrar conjuntos já consagrados no repertório, por
exemplo: flauta, viola, e harpa (Debussy) ou clarinete, violoncelo, piano (Beethoven),
por não falar da terceira versão de "Liberdade" escrita para voz e piano - o
contexto de todo a repertório de Lied etc.. Esta peça também funciona, em
certa medida, como a secção fulcral da obra.
C. Bochmann
Liberdade
O pássaro é livre
Na prisão do ar
O espírito é livre
Na prisão do corpo
Mas livre, bem livre
É mesmo estar morto
Olha a ambiguidade melancólica
Do rosto dessa mulher à janela
Que abre mares impossíveis de liberdade
Alheio a limites
Perdão de erros sem julgamento
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