Home

   Historial

 Agenda

Encomendas

Maestros

Intérpretes

Compositores

Contactos

Fotos

Links

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Este site foi actualizado pelo última vez em 22/02/07 )

   

 

 

 

 

 

 

2001       2002       2003       2004   2005    2006     2007 

2004
Janeiro

Dia 23 às 21.30 Horas - Lisboa - Salão Nobre do Conservatório Nacional

Concerto de apresentação em Lisboa das obras encomendadas  pelo GMCL

 

Quinteto                                                             F. Monteiro

El vaso reluciente                                            Clotilde Rosa

Leves Véus Levam                                         J. Peixinho

Leituras de Liberdade                                     Christopher Bochmann

Poemário de Lamolinairie de Campos        Eurico Carrapatoso

 

Fevereiro

Dia 18 às 18.30 Horas - Almada - Salão Nobre do instituto Piaget

Concerto de apresentação em Lisboa das obras encomendadas  pelo GMCL

 

El vaso reluciente                                            Clotilde Rosa

Leves Véus Levam                                         J. Peixinho

O Caminho de Orfeu                                       Clotilde Rosa

Poemário de Lamolinairie de Campos        Eurico Carrapatoso

Leituras de Liberdade                                     Christopher Bochmann

 

 

Notas de Programa

 

 

2004

Janeiro

 

 

 

 

 

 

Dia 23 às 21.30 Horas - Lisboa - Salão Nobre do Conservatório Nacional

 

Iª Parte

 

Quinteto (2002)                                                        F. Monteiro

                Fl, cl, v, vc e pf

 

El Vaso Reluciente(2003)                                        C. Rosa

1ª audição (encomenda do GMCL a quem foi dedicada)

 

                Sop, pf, harpa, fl, cl, v, va e vc

 

Leves Véus Levam (1981)                                       J. Peixinho

                Sop, fl, va, harpa e marimba

 

 

IIª Parte

 

Leituras de Liberdade (2003)                                 C. Bochmann

1ª audição (encomenda do GMCL a quem foi dedicada)

 

                Sop, pf, harpa, fl, cl, v, va e vc

 

Poemário de Lamonilairie de Campos (2003)       E. Carrapatoso

1ª audição (encomenda do GMCL a quem foi dedicada)

 

1. Reconhecimento (nocturno)

2. Pedras (blues)

3. Lição (recitativo unido)

4. Defronte (blues)

5. Lua (nocturno)

 

        Sop, pf, harpa, fl, cl, v, va e vc

 

 

Voz – Ana Ester Neves                   Violino – José Machado              

Flauta – João Pereira Coutinho     Violeta – António Oliveira e Silva

Clarinete – Luís Gomes                   Violoncelo – Jorge Sá Machado

Percussão – Fátima  Pinto              Harpa – Andreia Marques                    

Piano – Francisco Monteiro 

         

Direcção – João Paulo Santos   

              

Fevereiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dia 18 às 18.30 Horas - Almada - Salão Nobre do instituto Piaget

Concerto de apresentação em Lisboa das obras encomendadas  pelo GMCL

 

Iª Parte

 

 

El Vaso Reluciente(2003)                                        C. Rosa

1ª audição (encomenda do GMCL a quem foi dedicada)

 

                Sop, pf, harpa, fl, cl, v, va e vc

 

Leves Véus Levam (1981)                                       J. Peixinho

 

                Sop, fl, va, harpa e marimba

 

O Caminho de Orfeu (2002)                                    Clotilde Rosa

 

                Harpa, fl, cl, v, va e vc

 

 

IIª Parte

 

Poemário de Lamonilairie de Campos (2003)       E. Carrapatoso

1ª audição (encomenda do GMCL a quem foi dedicada)

 

1. Reconhecimento (nocturno)

2. Pedras (blues)

3. Lição (recitativo unido)

4. Defronte (blues)

5. Lua (nocturno)

 

        Sop, pf, harpa, fl, cl, v, va e vc

 

 

Leituras de Liberdade (2003)                                  C. Bochmann

1ª audição (encomenda do GMCL a quem foi dedicada)

 

                Sop, pf, harpa, fl, cl, v, va e vc

 

 

 

Voz – Ana Ester Neves                   Violino – José Machado              

Flauta – João Pereira Coutinho     Violeta – António Oliveira e Silva

Clarinete – Luís Gomes                   Violoncelo – Jorge Sá Machado

Percussão – Fátima  Pinto              Harpa – Andreia Marques                    

Piano – Francisco Monteiro 

         

Direcção – João Paulo Santos   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Notas de programa


EL VASO RELUCIENTE… (2003)

Esta obra foi-me encomendada pelo GMCL a quem dediquei. Escolhi este soneto de Camões pela sua beleza e transparência. Tentei interpretá-lo em música conferindo-lhe uma trajectória de um clima mais ou menos rarefeito, procurando timbres luminosos a fim de manter o ambiente que é tão peculiar ao poema e que permaneceu no meu espírito. El Vaso Reluciente é de relativa curta duração conforme o soneto. Acaba num rendilhado de sons como se de um sonho se tratara…

Clotilde Rosa

El vaso reluciente…
El vaso reluciente y cristalino,
De Ángeles agua clara y olorosa,
De blanca seda ornado y fresca rosa,
Ligado con cabellos de oro fino;
Bien claro parecía el don divino
Labrado por la mano artificiosa
De aquella blanca Ninfa, graciosa
Más que el rubio lucero matutino.
Nel vaso vuestro cuerpo se afigura,
Rajado de los blandos miembros bellos,
Y en el agua – vuestra ánima pura;
La seda es la blancura, y los cabellos
Son las prisiones y la ligadura
Con que mi libertad fue asida dellos.


LEVES VÉUS VELAM...(1981)
Baseada no poema homónimo de Fernando Pessoa, esta obra ( escrita para soprano, flauta viola e marimba ) pretende construir um universo sonoro autónomo, no qual a voz e o conjunto instrumental assumem funções igualmente relevantes e inter-dependentes. Os fundamentos da peça residem na aplicação de um sistema de campos harmónicos variáveis - os quais funcionam como véus envolventes do tecido sonoro ( " Leves véus velam") - daí derivando e aí se inserindo todos os elementos constitutivos ( sons prolongados, grupos" em arco" ou direccionais, células em "ostinato", etc ). Os elementos "centrífugos" do sistema (glissandos, movimentos de sons não-determinados, percussão ) constituem uma "projecção" dos elementos-matriz, na fronteira dos campos harmónicos estruturais. A notar ainda a inclusão estilizada de fragmentos do Pierrot Lunaire de Schönberg, assinalando os momentos de convergência de Fernando Pessoa e de Albert Giraud (a utilização comum de palavras como "lua", "noite", "céu")
Jorge Peixinho

O CAMINHO DE ORFEU (2002)
Esta obra, para harpa solista e conjunto instrumental é dedicada à harpista Andreia Marques e ao GMCL, grupo do qual ela faz parte.
Tentei, sem trair a minha linguagem, tirar partido das belas potencialidades da harpa, instrumento de tão difícil execução no campo da escrita atonal, mercê da complicada técnica de pedais, razão da dificuldade em escrever para este instrumento. O Caminho de Orfeu, desenrola-se dentro de cadências e diálogos entre a harpa e o conjunto instrumental com novas experiências harmónicas, interligando-se entre si; situações mais líricas e outras mais rítmicas e marcantes, num caminho árduo, como o de Orfeu se tratasse, em procura de Euridice. A obra acaba com glissandos muito harpísticos sustentados por um paralelismo de acordes nos outros instrumentos.

Clotilde Rosa
13/6/03

POEMÁRIO DE LAMOLINAIRIE DE CAMPOS (2003)

1. Esta peça resulta de uma encomenda do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, a quem é dedicada. Por extensão natural, é uma dedicatória que se projecta na memória da figura ímpar do seu fundador, o meu querido professor Jorge Peixinho, mestre incomparável, o nosso compositor-poeta.
2. É uma leitura musical de poemas epigramáticos de Lamolinairie de Campos. A sua poesia desde cedo me colheu não apenas pela sua inefabilidade bem como pelo equilíbrio rítmico das suas palavras. Surgem sempre na hora certa, com o peso certo, numa prosódia de rara compleição. A sua musicalidade extrema sugere timbres de amplitude variável desde a evanescência de um glockenspiel ao registo sonoro do bronze, passando pelos acetinados sensuais blues-like, pelas sonoridades nocturnas das surdinas, pelo halo onírico dos harmónicos. A música está naqueles poemas. O meu contributo é apenas sinestésico.
3. A peça tem uma forma palindrómica, com cinco andamentos que se reflectem no carácter e no material. O primeiro e último são nocturnos, cheios de mistério. O segundo e quarto são blues, literalmente blues, no seu arrastamento dengoso, no seu mamar doce. O momento central, o eixo deste espelho, é declamado. O poema é dito numa caminha de timbres.
4. Musicalmente, a textura é simples, subtil, essencialmente tímbrica. Há um certo despojamento de meios. O poema chega. Less is more.
5. Harmonicamente é uma obra tonal, contendo referências mais ou menos veladas aos meus mestres queridos: o Mahler dos Adagiettos e dos Kindertotenlieder, o Ravel da Pavane, o Debussy do Faune, o Messiaen de Fouillis d’arcs-en-ciel, o Gershwin de Porgy; e uma referência ainda mais velada ao mestre Schoenberg, na clarividência da sua afirmação: “ainda se pode escrever muita boa música em dó maior”. Uns porque me inspiram, outros porque me encorajam, constituem-se como os ecos imemoriais desta peça, seu húmus e minha linfa.
6. Os poemas são extraídos do livro de José Lamolinairie de Campos chamado Delitos, edições Afrontamento/Poesia-1983. Ei-los:
Eurico Carrapatoso
1 - Reconhecimento
Águas travos
De empenhos carentes
Ruídos doentes
Remoques violentos
Vão indo lentas em forma de exórdios
Depuram para que assomem talentos

2 - Pedras
Pedras são contexturas
impregnadas e broncos
Cérebros gastos, ásperos.
Contêm tudo à força de tão junto.

3 - Lição
Os poetas são lobisomens.
São negros, carnívoros, párias.
Carpem à noite, eles
uivam porque a noite está vaga.
Têm fôlego quente, eles
são emergentes, radicais como geisers.

4 – Defronte
De bruços, queixo na areia, os olhos altos.
De bruços, queixo na areia, barcos.
A areia morna a possuir-te...
O risco do cabelo a dividir-te...

5 - Lua
À noite, há a certeza do reflexo,
tendência para o banho nocturno no espelho baço.
A lua imóvel, sossegadamente satélite,
é agora narciso irrequieto pelas águas!?...


LEITURAS DE LIBERDADE (2003)

Leituras de Liberdade baseia-se num poema do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade. O poema "Liberdade" aparece quatro vezes na obra: a parte vocal é sempre a mesma, com uns tropos inseridos; o contexto que rodeia voz é sempre diferente. Daí as quatro leituras diferentes do mesmo texto.

À volta destas quatro versões de "Liberdade" elabora-se uma teia de secções instrumentais e vocais. Estas últimas citam dois pequenos excertos de outros poemas do mesmo autor, ambos contendo a palavra "liberdade".

As várias secções utilizam combinações diferentes dos instrumentos do grupo, algumas das quais fazem lembrar conjuntos já consagrados no repertório, por exemplo: flauta, viola, e harpa (Debussy) ou clarinete, violoncelo, piano (Beethoven), por não falar da terceira versão de "Liberdade" escrita para voz e piano - o contexto de todo a repertório de Lied etc.. Esta peça também funciona, em certa medida, como a secção fulcral da obra.
C. Bochmann

Liberdade
O pássaro é livre
Na prisão do ar
O espírito é livre
Na prisão do corpo
Mas livre, bem livre
É mesmo estar morto

Olha a ambiguidade melancólica
Do rosto dessa mulher à janela
Que abre mares impossíveis de liberdade

Alheio a limites
Perdão de erros sem julgamento